São cada vez mais as equipas e os esforços para limpar praias, rios e mares, a fim de os libertar de resíduos ali indevidamente descartados. Mas, o que é possível reciclar ou reaproveitar destes resíduos? A Full Cycle, uma empresa portuguesa de economia circular, dá-nos vários exemplos.

“Criar um mundo melhor através da valorização de desperdício”. Esta é a missão assumida pela empresa. Partindo do grande problema dos resíduos marinhos nos nossos oceanos, o CEO da Full Cycle, Pedro Alves, explica que “desde 2019 a empresa tem vindo a desenvolver projetos com plástico marítimo reciclado”.

O objetivo, além de retirar resíduos do mar, passa por “fazer ver à indústria que é possível incorporar maior quantidade de plástico reciclado pós-consumo em todos os produtos”.

Como a Full Cycle trata os resíduos recolhidos

Segundo a Full Cycle, por ano são enviados incorretamente para os oceanos cerca de oito milhões de resíduos plásticos, o equivalente a 53 baleias azuis adultas. Deste descarte incorreto, uma grande fatia diz respeito a materiais de pesca obsoletos, que, uma vez soltos no mar, provocam a morte a milhares de espécies através do fenómeno de Ghost Fishing. Estas redes fantasmas, ao ficarem à deriva, podem enclausurar vários animais, condicionando movimentos, ferindo-os, impedindo-os de se alimentarem e conduzindo-os à morte.

Para combater este problema, a Full Cycle está a recolher materiais de pesca em fim de vida e a reciclar alguns destes resíduos, contribuindo, assim, para aumentar a circularidade dos plásticos.  

Assim, estão a nascer cabides, suportes para garrafas de água para bicicletas, garrafas e tampas que são porta-ferramentas de bicicleta, bancos, contentores para reciclagem, suportes para bicicletas e pranchas de surf. Todos estes objetos são produzidos com recurso a plástico reciclado e proveniente de resíduos marítimos.

A produção destes materiais é feita com recurso a equipamentos como redes de pesca ou de arrasto, cabos e armadilhas, que estavam em risco de poluir rios e mares.

“Estes resíduos plásticos são salvos através de limpeza de rios e praias, programas de mergulho onde se recolhem equipamentos abandonados e de recolha em portos, evitando que os equipamentos em fim de vida acabem no mar ou em aterros”, explica Pedro Alves.

A Full Cycle procura, assim, através da reciclagem, dar nova vida aos resíduos plásticos abandonados nos rios e mares. Aliás, o nome da empresa propõe exatamente isso: completar o ciclo, dando-lhe uma nova vida após a sua utilização, através da reciclagem.

“Exatamente porque acreditamos que os materiais de plástico não devem acabar após serem utilizados uma vez. Estes podem e devem ser reintroduzidos no processo de produção para criar novos produtos”, acrescenta ainda o CEO.