As crianças do ensino pré-escolar da escola dos Salesianos do Estoril criaram uma história sobre reciclagem. Com a ajuda das suas educadoras, Catarina Antunes, Filipa Amaro Monteiro, Elisa Oliveira e Joana Moura, deram cor e voz ao Papa-lixo, mostrando a toda a gente como é importante separar as embalagens. Elisa Oliveira conversou com a RECICLA e mostrou a história criada por estas turmas.

Porquê inventar uma história sobre a reciclagem?

Foi um desafio lançado no âmbito da disciplina de cidadania e desenvolvimento. O ambiente é um tema geral para toda a escola e nós adaptamos à idade dos nossos alunos. Nos Salesianos do Estoril temos quatro salas de pré-escolar e, por isso, envolvemos todas as crianças entre os quatro e os cinco anos. O desafio principal prendia-se com “o que podemos fazer para salvar o planeta” e, a partir daqui, começamos a delinear esta estratégia mais adequada à idade dos alunos.

Como foi criar a história do Papa-lixo?

O projeto foi desenvolvido entre o primeiro e o segundo período, isto é, entre janeiro, fevereiro até maio, mês em que apresentamos o trabalho final. Contou com o auxílio das quatro educadoras – Catarina Antunes, Filipa Amaro Monteiro, Elisa Oliveira e Joana Moura – e com todas as crianças, umas na ilustração, outras na narração.

A história do vídeo surgiu do grupo de trabalho. Definimos como tema a reciclagem, inventamos a história e propusemos às crianças. Os grupos das quatro salas foram muito recetivos, quiseram logo inventar como seria o Papa-lixo, quais seriam as expressões: o Papa-lixo muito contente, os ecopontos muito tristes. Envolveram-se de imediato e, de forma muito curiosa, deram as suas opiniões sobre como podíamos fazer as várias componentes gráficas da história.

A parte que para eles talvez tenha sido mais difícil foi a gravação da narração. Sentiram-se mais nervosos no dia, mas muito contentes com a responsabilidade. Quase todas as crianças conseguiram gravar logo na primeira vez. Eles divertiram-se, apesar de estarem nervosos com a responsabilidade. Quando ouviram as vozes uns dos outros estavam muito orgulhosos e foi muito engraçado ver as reações deles.

A educação ambiental é um tema que agora é necessário aprender desde muito cedo. Como se ensina a crianças com esta idade que é preciso cuidar do planeta?

É, de facto, um tema muito atual e cada vez mais notamos que esta educação já vem de casa. No fundo, o que nós fazemos é continuar este estímulo, este desenvolvimento e alerta. As ações que fazemos aqui na escola são coisas muito pequeninas, mas que são muito visíveis para eles, porque é a maneira que têm de compreender. Daí termos exemplos muito concretos para que possam perceber. No entanto, alguns alunos já trazem de casa umas ideias, outros levam para casa estas ideias e trazem-nos feedback, dizem, por exemplo, que os pais estavam a colocar o plástico no ecoponto errado, mas que agora já sabem. Também é interessante ver este retorno e esta partilha.

As crianças têm porquês sobre este tema? O que lhes responde?

São naturalmente curiosos. É uma característica da idade e às vezes fazem perguntas que nós nem sabemos muito bem explicar e temos de ir pesquisar para conseguir dar a resposta. São super curiosos e têm perguntas muito pertinentes, como “para onde vai este ‘lixo’ que nós pomos no ecoponto?”, “O que fazem com este ‘lixo’?”, “Qual é o camião que o leva?”. Coisas que nós também não estamos tão por dentro e que precisamos de fazer algum trabalho de pesquisa para responder a estas dúvidas.

Ao longo dos anos, enquanto educadora, tem visto este tema crescer e ganhar espaço na educação dos mais pequenos?

A disciplina de cidadania e de desenvolvimento é recente. Mas, na educação pré-escolar sempre foi um tema a tratar, fazendo parte da área de conhecimento comum e de conhecimento do mundo, do meio que os rodeia. Acabamos sempre por abordar o tema. Se calhar não com esta dimensão, porque está integrado numa estratégia transversal à escola.

Nestes últimos anos, se calhar, temos dado mais importância e mais relevo a estes projetos. Mas é um tema que desperta sempre interesse e curiosidade.  Temos vindo a fazer esta evolução e, de facto, antes não tínhamos tanta informação, as crianças não estavam tão despertas, não havia tantos estímulos e não estavam tão curiosas. Agora são assuntos que estão mais presentes no dia a dia.

Em casa, este trabalho é consolidado?

Cada vez mais. Penso que as famílias estão mais despertas, têm cada vez mais cuidados e adotam melhores hábitos. As famílias que ainda não têm este tipo de hábitos tão enraizados acabam por ficar um bocadinho mais alerta por insistência das crianças, ou por comentários delas.

Porque é que é importante incutir desde já estas questões nas crianças?

Além de formar o desenvolvimento integral das crianças, a nossa preocupação também passa por esta componente de ecologia, para que sejam cidadãos responsáveis, cidadãos que cuidam do planeta. Além das competências escolares, achamos que é um assunto que faz parte da formação. Estamos a educar crianças que precisam de uma educação integral e nas várias áreas. Só têm a ganhar. É um ponto positivo na educação deles.