Com vontade de um brunch? Há um restaurante novo e mais sustentável de refeições all day que tem de experimentar. Chama-se Único. A RECICLA foi saber porquê e conta-lhe o que diferencia este espaço de Lisboa.

De um recanto a um projeto Único

Já há muito tempo que a área junto à entrada do Centro Cultural de Belém andava para ser diferente. Eis que, no início de junho, deixou de ser apenas um recanto de passagem e se transformou no Único, o novo restaurante que serve sustentabilidade e responsabilidade social.

O que veio mudar o rumo deste espaço foi o projeto social Semear. A presidente da associação, Joana Santiago, explica porquê: “A Semear tem como missão formar e integrar no mercado de trabalho pessoas com deficiência intelectual ligeira”.

Esta associação possui uma academia no Instituto Superior de Agronomia, onde jovens com deficiência intelectual ligeira, após terminarem o percurso escolar obrigatório, podem receber formação específica em áreas como agricultura, comércio, indústria, transformação e restauração. Em paralelo à academia têm vindo a ser criados negócios sociais focados na sustentabilidade.  Entre os vários projetos que colocam pessoas com deficiência intelectual ligeira a trabalhar destacam-se dois: uma unidade agrícola biológica, a Semear Terra, e a Mercearia. Neste último, vendem-se produtos como doces e compotas feitos para evitar desperdício alimentar de frutas e legumes.

“A partir daqui nasceu a oportunidade fantástica de criar este restaurante em parceria com o grupo SushiCafé, que resolveu juntar esta responsabilidade social à sustentabilidade ambiental”, descreve Joana Santiago.

“Compram-nos os nossos produtos, utilizam nas suas cartas e empregam jovens com dificuldade intelectual formados por nós”, acrescenta.

Diogo Roquete, responsável de operações do grupo SushiCafé, juntamente com o chef deste restaurante, Diogo Coimbra, foram conhecer a horta da Semear. O encanto foi à primeira vista e o projeto ganhou desde logo alento para continuar. “É extraordinário. É interessante como a terra consegue incorporar os sentimentos das pessoas que a tratam. O Diogo [Coimbra] apaixonou-se por este projeto que temos estado aqui a criar gradualmente”, começa por referir Diogo Roquete.

Diogo Roquete e Joana Santiago

O que torna o Único tão especial?

Aqui podem consumir-se refeições ao longo de todo o dia. Seja pequeno-almoço, brunch, almoço, lanche ou um lanche-ajantarado, a que Diogo Roquete gosta de chamar “teanner”. No Único, há sempre um prato saudável pronto a confecionar e a servir. Um cesto de pão com compotas e queijo fresco, iogurte grego com granola, ovos com salmão ou crepe de espinafres com tomate e requeijão; prego de atum; salada kale, sumos naturais, entre tantas outras opções.

Num mês de funcionamento, o chef Diogo Coimbra faz o balanço do que tem aprendido no Único: “Achei o projeto aliciante. A sustentabilidade não era de todo uma prioridade para mim. Normalmente, os chefs gostam muito de dizer que usam tudo e que há muita sustentabilidade, não é totalmente verdade, tendo em conta a minha experiência. Aqui estou a aprender a ser mais sustentável do que já era. A forma como se aproveitam os ingredientes, como se reaproveita muitos dos componentes… Tem sido uma aprendizagem e faz de mim melhor cozinheiro, sem dúvida”.

A sustentabilidade vem da horta para a mesa

Tudo começa pelo próprio conceito: a cozinha de todas as estações do ano. Ao procurar produtos locais e da época contribui-se para reduzir a pegada carbónica no transporte e para diminuir o impacto ambiental.

“Queríamos o maior número de produtos feitos aqui. Os nossos fornecedores são todos locais. Temos cerveja artesanal portuguesa, queijos artesanais, o pão é feito cá”, vai enumerando Diogo Roquete.

Também o café encontra aqui um circuito circular. O Único possui uma máquina que torra o café e o mói de seguida. Depois de servido, todo o desperdício da sua produção é utilizado para fertilizante da terra.

“Os materiais escolhidos também foram pensados neste sentido: o reaproveitar, o reciclar, e o utilizar produtos sustentáveis. A base é muito isto e foi isto que nos uniu: um projeto que responde a um problema social e que traz este valor acrescentado ao incorporar atividades com preocupação ambiental. Faz toda a diferença”, acrescenta Joana Santiago.

O espaço é minimalista e muitas das coisas que contém são reaproveitamentos de atividades que decorreram no Centro Cultural. “Fomos às catacumbas do CCB ver o que havia e podia ser reaproveitado. As mesas são reaproveitadas, os bancos são todos reaproveitados”. Comprou-se muito pouca coisa. As plantas, além de decorarem o espaço, albergam ervas aromáticas que quando estiverem prontas depois utilizaremos também na cozinha”, refere ainda Diogo Roquete.

Seja para que refeição for, não pode perder a oportunidade de conhecer o Único, os seus pratos com produtos de origem biológica, servidos pelos seus trabalhadores especiais.

Centro Cultural de Belém

T. 967 073 220