Projeto com a parceria:
Juntas de Freguesias de Portugal

Distinguir quem “faz a diferença” a reciclar embalagens

Na 2.ª edição do Prémio Junta-te ao Gervásio, a Sociedade Ponto Verde quer premiar cidadãos, associações e juntas de freguesia com projetos na área da reciclagem e economia circular. Conheça o júri de sete elementos, presidido pela CEO da SPV, Ana Trigo Morais.

De projetos de instalação de ecopontos num espaço onde não existiam aos de recolha de embalagens numa qualquer praia do País, o Prémio Junta-te ao Gervásio, que vai na sua 2ª edição, tem um “âmbito muito grande”. Pretende distinguir desde cidadãos a associações de estudantes ou de trabalhadores e juntas de freguesia, como frisou Ricardo Lagoa, coordenador de Marketing e Comunicação da Sociedade Ponto Verde (SPV). Serão sete personalidades, especialistas na área, a avaliar os melhores projetos a concurso.

O júri desta edição é composto pela CEO da Sociedade Ponto Verde, Ana Trigo Morais; pela vogal do Conselho Diretivo da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Ana Cristina Carrola; pelo coordenador regional DECO Regiões, André Regueiro; pela investigadora e consultora em Sustentabilidade e ESG Carmen Lima; pela jornalista e editora de Ambiente e Ação Climática na RTP, Daniela Santiago; pela diretora-geral da Direção-Geral das Atividades Económicas, Fernanda Ferreira Dias; e pela socióloga, professora e investigadora no ICS, Luísa Schmidt.

“Queremos muito premiar estes projetos, de cidadãos, de associações, que até podem não estar ligadas ao ambiente, podem ser de trabalhadores, de estudantes, de moradores, mas que, por algum motivo, fizeram um projeto para comunicar a reciclagem, para recolher embalagens, para limpar uma praia”, destacou Ricardo Lagoa, sublinhando também a importância “das iniciativas das juntas de freguesia que têm uma responsabilidade mais direta e mais próxima” em sensibilizar os cidadãos para o gesto quotidiano de reciclar.

No fundo, o Junta-te ao Gervásio pretende “apoiar e divulgar quem faz a diferença na reciclagem das embalagens”, frisou Ricardo Lagoa. Visite o site https://recicla.pt/juntateaogervasio/ e saiba tudo sobre o prémio e as categorias a concurso.

O exemplo de Viseu

O programa CM Regiões com Duarte Siopa e Sara Santos foi até Viseu, um distrito onde as práticas ambientais e de reciclagem são promovidas. Aliás, a Câmara Municipal de Viseu tem o programa municipal Viseu Recicla, que trouxe um novo paradigma ambiental ao distrito.

O presidente da Câmara de Viseu, Fernando Ruas, lembrou a Duarte Siopa e Sara Santos como a cidade, localizada “no coração” de Portugal, tem um dos “ares mais puros” do País, segundo a última medição da qualidade do ar efetuada. E garante que a reciclagem já entrou nos hábitos da população. “Os viseenses preocupam-se e muito com a reciclagem. De 2017 a 2024 nós aumentámos em 74% a reciclagem”, afirmou.

“No ano passado, produzimos 45 toneladas de lixo e reciclámos muito, quase todo foi reciclado”, referiu Fernando Ruas. O autarca destacou ainda pequenos gestos que ajudam a mudar comportamentos. “Introduzimos uma máquina na Escola Superior de Tecnologia em que os alunos entregam as embalagens de plástico e depois têm direito a um voucher no bar. São gestos simples e simbólicos que depois podem ser copiados”.

Viseu cresceu muito, tendo passado recentemente “a barreira dos 100 mil habitantes”, o que é invulgar numa cidade do interior, como lembrou, mas distingue-se, ainda assim, pela pureza do ar e pelos espaços limpos. “Nós cultivamos uma máxima de que a cidade limpa não é aquela que se limpa mais vezes, é a que menos se suja, e que incutimos nos cidadãos”, sublinhou Fernando Ruas, que brincou com o epíteto de “cidade das rotundas” que foi atribuído a Viseu. “Mas são todas rotundas ajardinadas” e integradas num espaço urbano “cuidado”.

Diamantino Santos, presidente da Junta de Freguesia de Viseu e vogal do conselho diretivo da ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias), e Alexandre Pereira, presidente da Junta de Freguesia de Moledo (Castro Daire), da delegação distrital de Viseu da ANAFRE, também falaram no CM Regiões com Sara Santos sobre a missão contínua de sensibilizar os cidadãos para a reciclagem de embalagens.

“Somos uma freguesia urbana. Precisamos mesmo de sensibilizar a nossa comunidade para estas práticas. É fundamental”, afirmou Diamantino Santos. O autarca destacou as parcerias que a Junta de Freguesia de Viseu estabeleceu “com escolas, associações, instituições que se dedicam a este trabalho”. A junta participa, por exemplo, no Conselho Eco-Escolas que reúne todos os estabelecimentos de ensino. “Nós somos uma ecofreguesia e temos esta preocupação constante de fazer parcerias nesta área”, sublinhou. O presidente da Junta de Freguesia de Moledo (município de Castro Daire), Alexandre Pereira, referiu a importância da “sensibilização” e “de se perceber que isto é uma tarefa de todos e para todos”. “A Junta de Freguesia de Moledo tem um contacto muito próximo com o cidadão e é importante que todos percebam que ninguém se pode alhear desta missão que é global”.

A iniciativa Junta-te ao Gervásio tem três categorias a concurso: Cidadania Social, Entidades de Proximidade e Juntas de Freguesia. Na Cidadania Social, há três prémios: o primeiro no valor de 3000 euros; o segundo no valor de 2000 euros; e o terceiro de 1500 euros. A categoria Entidades de Proximidade também apresenta três prémios: o primeiro com 5000 euros; o segundo com 2000 euros e o terceiro com 1500 euros. Para as Juntas de Freguesia, haverá um vencedor que vai receber o Kit tecnológico do Gervásio e ainda quatro menções honrosas.

Portugal ainda longe da meta: reciclar 65% de todas as embalagens

Os portugueses encaminharam para reciclagem um total de 476 605 toneladas de embalagens em2024, “um aumento de 4%” face ao ano anterior, informa a Sociedade Ponto Verde. Mas o País ainda está longe do objetivo fixado para 2025

Portugal melhorou muito no reaproveitamento de resíduos e aumentou em 4% a quantidade de embalagens enviadas para reciclagem em 2024. Mas, ainda assim, o País está longe de cumprir as metas definidas por Bruxelas para este ano. Em 2025, o País terá de garantir a recolha seletiva de 65% de todas as embalagens colocadas no mercado. No ano passado, a taxa de retoma foi de apenas 57,8%, de acordo com dados preliminares da Sociedade Ponto Verde (SPV), divulgados recentemente.

Um total de 476 605 toneladas de embalagens foram encaminhadas para reciclagem pelos portugueses, 4% acima das quantidades de 2023, segundo os números da Sociedade Ponto Verde. Contudo, “embora estes dados sejam positivos, Portugal mantém-se longe da nova meta definida para este fluxo de resíduos urbanos e que é necessário atingir em 2025”, salientou a SPV em comunicado. “Temos de tornar o sistema mais eficiente para atingir as novas metas”, destacou a nota.

Em 2025, o sistema contará com mais 113 milhões de euros que resultam da decisão do Governo de aumentar os valores das contrapartidas para financiar o SIGRE – Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens, num total estimado de 235 milhões de euros (em 2024, o valor era 122 milhões de euros) só para a gestão dos resíduos de embalagens este ano. Este montante é pago pelas entidades gestoras de resíduos de embalagens aos Sistemas Municipais, Intermunicipais e concessões, para procederem à recolha seletiva de resíduos urbanos de embalagens, que asseguram a triagem e a pré-preparação para reciclagem destes resíduos nos seus diferentes materiais (como vidro, plástico ou papel/cartão).

Oportunidade única

A injeção de mais 113 milhões “tem de se traduzir na melhoria significativa do nível de serviço que é prestado aos cidadãos por parte dos sistemas municipais e multimunicipais na recolha, numa operação que deve ser cada vez mais orientada para a conveniência, assegurando, no final, a recolha de mais embalagens e o seu encaminhamento para reciclagem”. “Complementar o modelo de recolha por ecopontos com sistemas de incentivo, porta a porta ou pay as you throw (payt), permitindo este ter noção do valor pago em função do consumo, é uma das soluções já identificadas para permitirem uma melhor capacidade de resposta, com a entrada de mais embalagens no sistema de reciclagem”, refere a mesma nota.

A CEO da Sociedade Ponto Verde, Ana Trigo Morais, afiança que “o ano de 2025 tem de ser de viragem na recolha seletiva das embalagens. Com mais fundos à disposição do sistema, esperamos mais recolha e reciclagem destes resíduos, assim como uma atenção permanente das autoridades à forma como evolui a performance de toda a operação. É fundamental resolver os problemas existentes, que estão bem identificados, ao nível da prestação do serviço ao cidadão.”