Projeto com a parceria:
Juntas de Freguesias de Portugal

Reciclagem de embalagens: dê o exemplo e saia a ganhar com o Gervásio

Não é só o ambiente e a economia que ganham com o aproveitamento dos resíduos. Os melhores exemplos de reciclagem de embalagens também podem ser premiados.

Se já recicla, parabéns – faz parte da maioria. Senão, saiba que existem inúmeras vantagens em fazê-lo e, com um pequeno gesto, pode contribuir para poupar recursos e proteger o ambiente. Além disso, existem prémios para quem recicla.

O “Junta-te ao Gervásio” é uma iniciativa de âmbito nacional da Sociedade Ponto Verde, que tem como objetivo destacar projetos na área da reciclagem de embalagens e da economia circular. Segundo Ricardo Lagoa, diretor de Marketing e Comunicação da Sociedade Ponto Verde, “o projeto pretende motivar e ajudar a dar escala, divulgando estes projetos e dando um prémio final a quem mais fez a diferença na proximidade”, que é “um dos pilares mais importantes” desta iniciativa. A candidatura “é simples”, bastando “preencher um formulário, explicar que projeto é que vai fazer”. Depois, a Sociedade Ponto Verde tem um júri que, em parceria com o ISCTE, “vai receber as candidaturas, processar, analisar e premiar as melhores”. Podem candidatar-se ao prémio juntas de freguesia, Entidades de Proximidade (associações) e Cidadania Social (pessoas singulares), com projetos desenvolvidos e implementados em todo o território nacional (incluindo Madeira e Açores). As candidaturas devem ser feitas até ao dia 25 de janeiro.

Quanto aos prémios e distinções, na categoria “Freguesias” será atribuído ao primeiro lugar um kit tecnológico (composto por uma televisão com ligação à internet, tablets e um computador portátil equipados com a aplicação Junta-te ao Gervásio) e quatro menções honrosas.

Nas categorias “Entidades de Proximidade” e “Cidadania Social” vão ser atribuídos prémios monetários, num total de 16.500 euros, a seis vencedores (três em cada categoria) e menções honrosas (duas em cada categoria). Na categoria Entidades de Proximidade, o 1º Prémio é de 5.000 euros, o 2º é de 3.000 e o 3º de 2.000. Na categoria Cidadania Social, o 1º Prémio é de 3000 euros, o 2º Prémio é de 2.000 e o 3º Prémio é de 1.500.

Ricardo Lagoa, da Sociedade Ponto Verde, sublinha que os prémios vão ser atribuídos a “projetos que estão implementados”: “São coisas que aconteceram, tiveram o seu mérito, nós vamos avaliar e por conseguinte premiar.”

Bom exemplo no que toca ao empenho em tudo o que diz respeito ao ambiente e à reciclagem é Tavira, onde esteve a reportagem do CM Regiões, programa da CMTV. Nesse contexto, Duarte Siopa e Sara Santos falaram com João Simões, presidente da Junta da União de Freguesias de Alcoutim e Pereiro e coordenador da Delegação Regional do Algarve e da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), e com José Mateus, presidente da Junta da União de Freguesias de Tavira.

João Simões recordou que o programa “Junta-te ao Gervásio” é “muito importante para criar uma consciência coletiva para a reciclagem”. Refira-se que a ANAFRE é parceira desta iniciativa.

Já José Mateus deu um dos bons exemplos locais neste tema, um “projeto realizado com as escolas do primeiro ciclo de Tavira”, que esteve em exposição na altura do Natal: “São árvores feitas num material de madeira, contraplacado marítimo, que pode ter uma durabilidade grande. Todos os anos, cada turma tem uma árvore destas e decora-a com materiais recicláveis. Depois é exposta no mercado da Ribeira, onde estão cerca de 40 ou 50 árvores.” Além disso, José Mateus assegura que existem outras medidas que a freguesia toma, tendo em conta as preocupações ambientais. “Não aplicamos qualquer tipo de herbicida há dez ou 12 anos. Apenas cortamos as ervas”, afirma. Outra das práticas foi a substituição das máquinas roçadeiras – ferramenta agrícola usada para aparar ervas daninhas, arbustos e outras folhagens não acessíveis por um cortador de relva ou cortador rotativo – mecânicas por elétricas, a bateria, no sentido de serem “muito mais aceitáveis para o ambiente”.

Reciclo e depois?

Amarelo, verde e azul – provavelmente está familiarizado com as cores dos ecopontos destinados a embalagens de plástico, de vidro e de papel. Se sim, faz parte da maioria: 70% dos portugueses faz reciclagem de embalagens. No entanto, 30% ainda não faz. Porquê? Segundo a Sociedade Ponto Verde, os motivos podem ir desde dificuldade de acesso aos ecopontos – sobretudo em determinadas regiões do país – encontrá-los cheios; falta de informação ou mesmo alguma desconfiança. Há quem não faça a separação dos resíduos por pensar que acabam por ser misturados e – se assim fosse – seria trabalho em vão e um desperdício de recursos. No entanto, a verdade é que são recolhidos em separado e depositados nos respetivos armazéns.

A Algar Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos S.A serve 16 municípios do Algarve e, em 2023, tratou 40 mil toneladas de resíduos. Na maior parte do ano, o trabalho é feito em três turnos, de segunda a sexta-feira. De maio a outubro, altura em que o Algarve recebe mais turistas, a Algar trabalha 24 horas por dia, incluindo aos sábados, para separar toneladas de resíduos.

Depois de fazerem a recolha de embalagens nos ecopontos localizados nas várias cidades da região, os carros vão descarregar na zona de descarga do armazém. Segundo Miguel Nunes, responsável pela Área de Inovação e Desenvolvimento da Algar, é aí que começa a primeira fase do processo de triagem “onde se faz a separação dos plásticos do metal” e “os plásticos por tipo de plástico, que é o material mais exigente” e que “dá mais desafios em termos de separação e em termos de processo de triagem”.

Uma das partes da triagem é feita de forma automática “em que a separação é feita através de uma câmara de infravermelhos, que consegue identificar o tipo de polímero”. “Chamamos automática porque é feita através de um sopro de ar comprimido e, por fluxo ou por etapa, ela identifica os vários tipos de plásticos. Não tem 100% de eficiência, mas em termos de velocidade de processamento, foi uma ajuda importante”, explica Miguel Nunes, da Algar.

Os resíduos que não são detetados pela câmara de infravermelhos passam para uma segunda fase de triagem manual. “O caso mais comum que temos aqui é cartão. Muitas vezes, as pessoas colocam-no no amarelo e o que nós fazemos é retirá-lo na linha de planos, porque as automáticas não estão programadas para separar cartão, e na linha manual, como detetamos o cartão, há um silo próprio e depois é encaminhado da linha de embalagens para a de triagem e fardamento de cartão. Esse é quase um cuidado extra que nós temos para potenciar ao máximo o material que é depositado pelas pessoas nos ecopontos e não ir para aterro em vez de ser valorizado em termos de reciclagem”, justifica o responsável da Algar.

A  partir de fevereiro, a Algar vai ter um braço robótico para ajudar na separação de resíduos de forma mais precisa. Trata-se de um projeto-piloto de inovação financiado pela Sociedade Ponto Verde. “O braço teve de ser ensinado” – explica Miguel Nunes da Algar: “A Câmara esteve a recolher imagens durante cerca de um mês sobre o material que passa no tapete e essas imagens depois são tratadas no sentido de identificar a imagem com o material – o tipo de plástico basicamente. As pessoas vão ter outras funções nas linhas de triagem – ou de controlo de qualidade ou de operação dos equipamentos ou de máquinas –, mas deixam de ter esta tarefa que é mais dura, até do ponto de vista físico.”

Após a triagem, vem a fase de enfardamento. Cada fardo é constituído por cerca de 250 quilos de material, que é etiquetado conforme a origem. Segundo o responsável da Algar, o enfardamento é feito para “otimizar o transporte”: “Como não há indústria de reciclagem no Algarve, isto é encaminhado por camião para outras zonas do país e, às vezes, fora do país, como Espanha. O plástico é muito leve, não tem peso, e se não fizéssemos esta operação, estávamos a enviar pouca quantidade num volume muito grande.”

Depois de separado e enfardado, o material é armazenado e organizado no exterior dos armazéns da Algar. Por fim, os fardos são carregados para um camião e encaminhados para a indústria para serem reaproveitados e reintegrados no ciclo produtivo.