Tem como mote “Da natureza para a natureza” ou não fosse a Rações Zêzere uma empresa ligada à agropecuária. Produz e comercializa alimentos para animais de criação e vê na sustentabilidade ambiental o pilar da sua estrutura. É com base nestes valores que o responsável do departamento de ambiente, Ricardo Neves, explica à RECICLA o que faz da Rações Zêzere uma marca que marca.

Tendo o ambiente como meio de produção dos seus produtos, a Rações Zêzere começou há já vários anos a procurar melhorar a sua pegada carbónica. “Desde 2015 que começamos a tentar reduzir quantidades de embalagens e derivados”, especifica o responsável.

Reduzir a pegada carbónica um passo de cada vez

Desde a conceção do produto, passando pela escolha das matérias-primas, pela produção das embalagens, até à rota de entrega aos clientes tudo é pensado e gerido de modo a ter o menor impacto possível.

Ricardo Neves partilha algumas das medidas que a empresa tem vindo a tomar para reduzir ao máximo a sua pegada ambiental.

Começando pela instalação de painéis fotovoltaicos, que fornecem energia mais limpa, passando pela substituição da frota de pesados para veículos menos poluentes até à substituição da frota interna por veículos elétricos ou híbridos, esta empresa procura apostar na energia renovável.

Ainda no campo da energia, está a ser feita uma “melhoria continua dos processos fabris”, de que são exemplos as luzes Led com sensores de presença e luminosidade, assim como telhas translúcidas para aproveitar a luz natural do dia.

E porque poupar água é também uma medida essencial, todas as torneiras são de baixo consumo.

Estas são apenas duas áreas de intervenção em que a empresa apostou. Mas o maior impacto da Rações Zêzere no ambiente está nas embalagens. Ano após ano, a marca tem vindo a diminuir a pegada ambiental das suas embalagens através de diversas soluções.

Reduzir e reciclar embalagens

“Em 2019, reduzimos para cerca de metade as embalagens de multipack e poupámos três toneladas de plástico PET. Em 2020, abolimo-las e efetivamos uma poupança ambiental de quase seis toneladas de PET”, exemplifica.

A estas embalagens, outras se seguiram. Foi o caso das placas de cartão, cuja gramagem foi reduzida para metade, poupando a utilização de seis toneladas de papel a utilizar na base das paletes.

O filme estirável é outro processo em curso. No ano passado, a empresa iniciou a sua substituição por colas de base resinosa biodegradável, o que permitiu poupar oito toneladas deste produto. Este ano, espera conseguir eliminar a sua utilização na totalidade, evitando a utilização de 24 toneladas de plástico PET.

“Nas embalagens de papel de 30 quilos, passamos de três para duas folhas; e de momento, temos embalagens de 25 quilos”, concretiza Ricardo Neves. “Nas saquetas de papel de cinco quilos, fizemos um melhor dimensionamento da embalagem. Agora são adequadas à quantidade de volume do cereal. No filme plástico de envolver as paletes, baixamos dos 23 micrómetro para os 17”, continua.

Quanto à reciclagem, a Rações Zêzere procura usar materiais com taxas de reciclabilidade alta ou mesmo máxima, como o papel e o plástico. Além disso, opta por selecionar matéria-prima também ela com pegada carbónica mais reduzida, recorrendo a papel proveniente de florestas sustentáveis e a tintas biodegradáveis e não tóxicas nas suas embalagens.

Outro dos fatores a realçar neste âmbito, salienta o responsável, é a “sensibilização interna e social”. Para isso a Rações Zêzere recorre ao destaque da iconografia da Sociedade Ponto Verde (SPV). “A SPV tem sido um parceiro verdadeiramente ativo, preocupado, com valores com os quais nos identificamos e com muito conhecimento na área”, refere Ricardo Neves.

“Notamos também que a maior consciencialização dos consumidores nos apoia nesta causa, pois serem estes a optar por esta verdadeira luta só nos fortalece e dá mais vontade de caminhar rumo à sustentabilidade ambiental”, evidencia.

Com os olhos postos no futuro, a Rações Zêzere vê agora como objetivo criar relatórios de sustentabilidade, assim como calcular a pegada carbónica. A ideia, diz Ricardo Neves, é conseguir, “ano após ano, continuar a investir e a contribuir para um ambiente melhor e mais sustentável”.