E se a reciclagem do plástico se tornasse infinita, como a do vidro ou metal? Recentemente, uma equipa de investigadores do CICECO – Instituto de Materiais, uma das unidades de investigação da Universidade de Aveiro, descobriu um novo método para reciclar plástico PET e para tornar a economia ainda mais circular. 

Existem vários tipos de plástico no mundo. Entre eles, o PET, sigla para Politereftalato de Etileno, que é dos mais utilizados, por exemplo, para produzir garrafas para bebidas.  

É também, em Portugal, uma das categorias de plástico de embalagens encaminhado para reciclagem. Só no primeiro semestre de 2022, a reciclagem das embalagens de plástico cresceu 4% face ao período homólogo. Valores que cumprem com as atuais metas, mas ainda assim é necessário colocar a inovação ao serviço desta cadeia de valor para que se possa continuar a reciclar mais e melhor, garantindo a circularidade deste material. 

“Hoje em dia, as formas existentes para reciclar plásticos são limitadas, porque, após alguns ciclos de reciclagem, os polímeros [cadeias de moléculas que compõem o material] perdem performance e, portanto, deixam de poder ser utilizados em aplicações de alto valor”, explica uma das investigadoras, Andreia F. Sousa

No sentindo de contribuir para melhorar este ciclo, a equipa de investigadores da Universidade de Aveiro, composta por Beatriz Agostinho, Andreia Sousa e Armando Silvestre, desenvolveu um processo inovador e simples de reciclar de forma infinita os plásticos PET. 

Reciclar de forma inovadora

Assim, estes investigadores descobriram que ao usar uma mistura de dois ou três compostos químicos com um ponto de fusão mais baixo do que os utilizados originalmente no método de reciclagem, conseguiam, num único passo, repetir o processo infinitamente. A juntar a esta vantagem, este método é, não só de preparação simples como de baixa toxicidade.

“Reciclar quimicamente um polímero como o PET implicava, até agora, várias etapas, algumas muito demoradas. Com a abordagem descoberta isso não acontece, porque, além do polímero reciclado manter sempre as propriedades originais, o processo é realizado num único passo”, esclarece a investigadora.

Esta descoberta posiciona-se como uma nova janela de oportunidade de melhoramentos do processo de reciclagem. Tanto pela aplicação destes novos compostos, como pela simplificação do método e possível extensão a outros tipos de plástico. 

O grupo de investigadores acredita que “possa ser um contributo para resolver um problema global”, assim como “uma contribuição essencial para a circularidade [dos plásticos] e para o desenvolvimento sustentável deste sector”.

Andreia F. Sousa acrescenta ainda: “A criação de soluções de economia circular para a reutilização e valorização de resíduos poliméricos é um desafio global e está em linha com a visão da União Europeia para a economia verde e azul e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, nomeadamente o Objetivo 12 – Produção e Consumo Sustentáveis”.